É Zelo, não religiosidade.
Zelo nasce da redenção. Ele brota naturalmente em quem foi remido, lavado e purificado pelo sangue de Jesus. Não é esforço humano para parecer santo; é resposta espiritual de quem foi alcançado pela graça. A Escritura afirma que Cristo se entregou para formar para si um povo zeloso de boas obras (Tito 2:14). Ou seja, zelo não é um excesso; é o fruto esperado da cruz.
A Bíblia nos chama a andar em novidade de vida. A abandonar as coisas velhas. A não amar o mundo nem aquilo que nele há (Romanos 6:4; 1 João 2:15). No entanto, o grande problema não está fora da igreja, está dentro dela. Há muitos que aderiram ao ambiente eclesiástico, mas nunca se comprometeram com o senhorio de Cristo. Estão presentes nos cultos, mas ausentes na obediência. Frequentes nas reuniões, mas distantes da transformação.
Essas pessoas se contentam com estalos emocionais semanais. Vivem de culto em culto, buscando um alívio momentâneo para a alma, mas sem disposição para remover o peso que elas mesmas colocam sobre os ombros todos os dias. Quando a vida continua pesada, a culpa nunca é assumida: responsabilizam a igreja, os pastores, a “religião”. Mas a Escritura é clara: os que nasceram de novo agora vivem sob outro governo. Não mais sob seus próprios desejos, mas sob a vontade de Deus (Mateus 7:21; Romanos 12:1–2).
O cristianismo bíblico não é uma experiência emocional episódica. É uma nova existência. Paulo resume isso com clareza cortante: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Essa não é uma metáfora poética, é uma realidade espiritual. A natureza antiga morreu. Uma nova vida começou.
Andar como Cristo andou não significa viver isolado ou arrogante. Jesus amou profundamente. Tocou leprosos. Sentou-se à mesa com publicanos. Abraçou pecadores. Inaugurou o paraíso com um ladrão arrependido. O evangelho é, sim, para os doentes. Mas os doentes precisam do remédio, e o remédio é o próprio Cristo. Ele não cultuava a enfermidade; Ele curava. Andar com Jesus é andar com o antídoto da alma.
Por isso, quem é curado não deseja voltar à doença. Quem foi liberto não anseia pelo cativeiro. Jesus disse à mulher adúltera: “Vai e não peques mais” (João 8:11). Graça não é autorização para permanecer no erro; é poder para viver em novidade. O verdadeiro encontro com Cristo gera aversão ao pecado, não convivência confortável com ele.
O problema surge quando a espiritualidade se torna estética. Quando o cristianismo vira comportamento moldado, imagem bem construída, roupa adequada e discurso correto, mas o coração permanece caído. Essa é a espiritualidade de Caim: oferta sem entrega, culto sem vida, aparência sem aprovação divina (Gênesis 4). São “santos” ocos, cheios de forma, vazios de Deus. Uma maquilagem religiosa que não produz misericórdia, compaixão nem transformação real.
Mas o fato de alguns viverem assim não autoriza o outro extremo. A superficialidade também é uma negação do evangelho. Amar o culto e os prazeres ocasionais, sem compromisso com a cruz diária, é apenas outra forma de fuga. O chamado permanece o mesmo para todos: arrependimento sincero, consternação, choro, quebrantamento e, acima de tudo, graça abundante.
Porque, no fim, zelo não é rigidez. É amor que levou a sério a cruz. Não é religiosidade. É vida regenerada. Não é performance. É transformação. Não é aparência. É Cristo vivendo em nós, a verdadeira esperança da glória.



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